quinta-feira, 20 de março de 2014

Capítulo 1: O Evento e a Grande Mudança Planetária

* Este capítulo e parte integrante do projeto 2041: O ano da Terra nas Estrelas.


O ano era 2014. O mundo estava em verdadeira convulsão. Foi neste ano que a revolução da luz começou no planeta. As coisas tidas como certas já não eram mais verdade, e muitos estavam perdendo seu chão. O novo e inesperado começava a se estabelecer com força!

Este foi o ano do “Grande Evento” em que as bases da nova Terra começariam a ser construídas. Neste tempo, ocorreram profundas mudanças no sistema financeiro e econômico mundial. Grandes bancos faliram, grandes corporações, tidas como sólidas tiveram também que fechar as suas portas. Muitos líderes foram vistos indo para a prisão, até alguns que eram tidos como confiáveis. Houve um certo agito, ameaça de desordem, algumas pessoas pareciam enlouquecer. Entretanto, e apesar da extensão da mudança tudo ocorreu de forma relativamente calma.

Os dias que se seguiram ao Evento foram de apreensão. Ninguém sabia ao certo como tudo iria ficar. Com os bancos e grandes empresas fechadas, como todos voltariam ao trabalho e as suas vidas normais?
Não demorou muito, entretanto, para todos perceberem o que estava sendo preparado. Logo em seguida, as pessoas começariam a trabalhar muito menos que antes, mas podiam adquirir tudo o que era necessário para a sua sobrevivência. A abundância passou a ser a nova ideia a prevalecer na vida de todos. O acesso facilitado à moradia, meios de transporte, tratamentos de saúde, educação e alimentação passou a ser a regra geral.

No início a primeira percepção que todos tiveram foi como se amarras tivessem sido tiradas das suas vidas, e tudo passou a fluir de forma mais fácil. A inexistência de juros sobre o dinheiro e a presença de recursos abundantes para iniciar qualquer projeto liberaram de imediato todos os sofrimentos humanos causados pela escassez, bem como os diversos potenciais criativos reprimidos.

Logo em seguida todos viram que a mudança não era apenas na forma como as pessoas trabalhavam e se relacionavam com o dinheiro. Gradualmente, novas tecnologias foram implantadas, e permitiu-se uma vida mais feliz em praticamente todos os seus aspectos.

A alimentação migrou rapidamente para uma forma muito mais saudável e natural. As práticas de monocultura foram praticamente abolidas em poucos meses, já que as grandes corporações que as mantinham foram reestruturadas ou fechadas. A produção orgânica se tornou regra dentro de pouco tempo. Apesar disto, incrivelmente em poucos meses se produzia com cerca do dobro de eficiência que nos sistemas antigos. Além disto, a própria demanda por alimento caiu quase na mesma proporção com a mudanças alimentares que aos poucos foram surgindo, que incluíram a redução drástica do consumo de carne, a quase eliminação da produção de alimentos industrializados e o desaparecimento gradual dos excessos relacionados à quantidade de alimento consumido e ao desperdício.

Com isto, vastas áreas de cultivo puderam ser liberadas ou para recuperação ecológica ou para a criação de novos assentamentos humanos, a maioria agora construídos em base sustentáveis.

As construções, assim, passaram a assumir características sustentáveis, seguindo padrões de integração e não agressão com a natureza. Todas aquelas grandes construções em andamento durante o Evento foram paralisadas e revisadas para adotarem estes novos padrões. Imediatamente seguiu-se uma revolução nas formas de construção das habitações, que começaram a seguir estas mesmas ideias. Isto tomou um certo tempo, mas em poucos anos, era muito difícil ver alguém construir sua casa sem ter estes princípios fortemente presentes.

A poluição foi totalmente retirada do planeta em muito pouco tempo e, também em poucos meses, quase todas as empresas emitiam muito poucos materiais nocivos à natureza. As áreas naturais degradadas foram recuperadas totalmente, e novas áreas de conservação e convívio com a natureza foram criadas. Não havendo mais a superexploração destas áreas para o uso industrial, grande parte dos problemas nestes aspectos haviam sido resolvidos.

A área da saúde teve grandes saltos após o evento. Logo nos meses seguintes, começaram a aparecer tecnologias que permitiam o tratamento muito rápido e sem consequências negativas para quase todas as doenças conhecidas. Muitos destes tratamentos levaram um certo tempo a serem disseminados, mas em poucos anos toda a população já tinha acesso totalmente livre a qualquer tipo de tratamento que se fazia necessário.

Surgiram ainda novas tecnologias para a geração de energia. Logo após o Evento foi divulgado que haveriam muitas novas formas que as pessoas poderiam utilizar a energia, e em pouco tempo novos equipamentos foram colocados à disposição das pessoas para aquisição. Tecnologias baratas, abundantes e com a possibilidade de atender qualquer demanda doméstica ou industrial se tornaram corriqueiras, a ponto de a distribuição centralizada ser encerrada em cerca de cinco anos após esta grande mudança.

Estas tecnologias permitiram ainda uma revolução nos meios de transporte. Veículos independentes de combustíveis fósseis começaram a ser fabricados logo no primeiro ano da mudança, e, em poucos anos se tornaram presença comum nas ruas de todas as cidades, o que acabou por praticamente eliminar todos meios de poluição do ar nas cidades em cinco ou seis anos.

Mas as mudanças não terminaram por aí. Tudo isto foi só um começo. Todas estes fatos estavam apenas inaugurando uma nova fase evolutiva da humanidade!

A liberação de todas as limitações e sofrimentos físicos foram determinantes para que os seres humanos entrassem nesta nova fase. A verdadeira mudança ocorreu na espiritualidade humana. A percepção da existência de outras realidades para além do mundo físico conhecido se alastrou rapidamente por entre os indivíduos. As pessoas começaram a perceber que a vida não era limitada à execução automática de tarefas no mundo cotidiano, nem tampouco nas escapadas e transgressões a esta forma de viver, hábito muito cultivado e tido como bom, já que representava uma fuga da opressão do dia a dia. Enfim, percebeu-se que as possibilidades de existência e de evolução eram agora praticamente infinitas!

Evidentemente, estas percepções não se apresentaram do mesmo jeito à todas as pessoas logo após as mudanças iniciais. Uma pequena parte já vinha tentando construir uma percepção mais alargada da realidade, e uma forma diferente de fazer as coisas, e para estes a mudança foi apenas uma libertação e a entrada em algo que elas já esperavam. Uma outra parte significativa das pessoas entendeu logo em seguida tudo o que estava acontecendo, e acolheu bem esta ideia das realidades ampliadas que estava se apresentando. Entretanto, uma terceira parte, também significativa, demorou um pouco mais a entender ou aceitar estas novas ideias.

Esta ampliação da percepção da realidade começou, no início, com a disseminação de diversas informações que estavam escondidas da maioria das pessoas. No início foi a divulgação, em diversos lugares, da existência de seres extra-terrestres. Isto chocou a muitos no início, mas se tornou incontestável na medida em que eles começaram a aparecer no céu de forma cada vez mais visível.
Esta divulgação levou, por sua vez, a um entendimento e reflexões filosóficas mais profundas sobre o sentido da vida. Toda a história da humanidade passou a ser questionada e reescrita desde então. E nesta história estavam agora presentem estes seres em diversos momentos e de diversas formas, num surpreendente entrelaçamento.

Com esta divulgação, a humanidade começou a construir, aos poucos, um processo de interação mais profunda com estes seres que nos visitavam, descobrindo, ao contrário do que muitos supunham, o quanto eles desejavam o nosso bem e nos ajudar a evoluir e cumprir nosso aprendizado. No início, esta relação começou a se estabelecer no nível individual, a partir da iniciativa junto àquelas pessoas que se sentiam conectadas com estes seres, mas depois de terem se passado alguns anos após o Evento, ela passou a se dar num nível oficial, ou seja, se relacionando com nossos governos e se dirigindo coletivamente à humanidade.

A interação com estes seres permitiu que tivéssemos acesso à novas tecnologias e informações impensadas até então. Abriu-se um leque de opções com a chegada das chamadas tecnologias interdimensionais, que permitiram uma intensa conexão entre as diversas dimensões da vida no universo e entre as antes separadas questões espirituais das materiais. Esta foi uma das chaves para o salto experimentado desde então nas questões da espiritualidade.


Filipe assistia a tudo com seus pequenos olhos. Tinha apenas 3 anos quando tudo aconteceu. Ele não entendia muito bem tudo o que se passava, entretanto podia sentir o medo e a perplexidade que vinha dos outros, especialmente seus pais. Realmente era difícil entender as pessoas, principalmente os adultos, pois no fundo sabia que tudo que estava acontecendo era bom.

Ele entrou neste novo mundo com a natural alegria da criança em descobertas. Não foi difícil para ele, ainda muito jovem, desfrutar de todas as belezas e facilidades que o novo mundo propunha. Foi uma infância praticamente sem tristezas ou angústias, uma alegria genuína brotava constantemente do seu peito.

Passava muitas horas olhando o céu e exultava quando via aquelas luzes aparecerem, pois no fundo sabia que eram seus irmãos que estavam vindo lhe visitar. Parecia que conseguia conversar por pensamento com os seres que estavam lá em cima, e tudo o que sentia era uma profunda conexão e gratidão.

Desejava poder estar lá também ir até as estrelas, ir até outros mundos, conversar mais de perto com estes que passaram a ser tão queridos amigos. No fundo, sabia que mais cedo ou mais tarde isto ocorreria.

Ficava tanto tempo assim, que só era interrompido por seus pais o chamando para se alimentar ou fazer alguma tarefa. Diziam que ele tinha algumas obrigações a cumprir. Não entendia ainda porque seus pais insistiam com algumas coisas que ele deveria fazer, pois ele percebia que estas não eram necessárias para viver as possibilidades que se apresentavam no mundo.

Mais tarde, já na sua fase de adolescência, entendendo melhor como o mundo era antes do Evento, compreendia que algumas pessoas estavam resistindo à certas mudanças, como se estivessem com saudades dos “velhos tempos”. Via, inclusive, uma certa melancolia em alguns adultos, especialmente nos mais velhos. Seus pais passaram por dificuldades de adaptação, pois seus trabalhos foram extintos com as mudanças. Eles estavam tentando digerir tudo o que ocorria, e, a esta altura já estavam bem adaptados à nova vida, embora de vez em quando reclamavam de uma coisa ou outra e tentavam ainda fazer as coisas do “jeito antigo”. Mas eles não estavam sofrendo por isto, e Filipe sentia que era só uma questão de tempo para eles estarem plenamente adaptados à nova vida.

Diferente do que ocorria com o seu avô, que se mostrava sempre muito melancólico e triste com a situação, especialmente depois que sua avó morrera. Mesmo na juventude ainda compreendia pouco esta excessiva melancolia, especialmente porque estava se tornando a cada dia mais claro que a morte não existia, além do que os serviços de comunicação interdimensional estavam se tornando cada vez mais comuns e precisos.

Aliás, toda a vida estava se tornando cada vez mais mágica e empolgante com a disseminação destas novas tecnologias em todas as áreas. Era como se desejos se tornassem realidade e tudo fosse possível fazer!

Continua (capítulo 2 aqui)...

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